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Para sócios e financeiro

Quanto custa o plano de saúde em relação à folha de pagamento?

O plano de saúde é a segunda maior despesa com pessoas, atrás só do salário. Saber o percentual da folha e o custo líquido por vida muda a conversa com o financeiro.

Atualizado em 28 de outubro de 2026 Revisão: Pedro Sales, ASF Corretora Fontes citadas na página

Resposta curta

Nas empresas pesquisadas pela Mercer Marsh (30ª Pesquisa de Benefícios, 737 empresas), o plano de saúde representou 13,95% da folha, a segunda maior despesa depois do salário. Para calcular o da sua empresa, some a fatura do plano dos últimos doze meses, subtraia o que foi descontado dos funcionários (contribuição e coparticipação) e divida pela folha bruta do mesmo período. O custo líquido por vida é esse valor dividido pelo número médio de beneficiários. É assim que o número entra no orçamento.

Qual é a referência de mercado para o plano em relação à folha?

A 30ª Pesquisa de Benefícios da Mercer Marsh Benefícios, com 737 empresas, apontou que o plano de saúde representou 13,95% da folha de pagamento, o que faz dele a segunda maior despesa com pessoas, atrás apenas do salário. É uma referência de grandes e médias empresas, com planos em geral mais amplos que os de uma PME, mas serve para situar a conversa: o plano não é um benefício marginal, é uma das maiores linhas do orçamento de pessoas.

O que esse número não diz é quanto o plano custa na sua empresa, nem se esse custo está crescendo mais rápido que a folha. Para isso, a conta precisa ser feita com os seus dados. Veja antes como funciona o plano de saúde empresarial.

Como calcular o percentual da folha da sua empresa?

A fórmula é simples, e o cuidado está em usar o mesmo período nos dois lados e em separar o bruto do líquido.

  • Custo bruto do plano: a soma das faturas da operadora nos últimos doze meses (mensalidades, coparticipação cobrada da empresa, ajustes).
  • Desconto em folha: o que foi descontado dos funcionários no mesmo período, como contribuição mensal e coparticipação repassada.
  • Custo líquido do plano: custo bruto menos desconto em folha. É o que a empresa de fato pagou.
  • Folha bruta: a soma dos salários brutos dos mesmos doze meses, sem encargos, para manter a comparabilidade com a referência de mercado.
  • Percentual da folha: custo líquido dividido pela folha bruta, em percentual. Vale também calcular o bruto, para ver quanto a contribuição dos funcionários está reduzindo.

Exemplo hipotético, com números redondos, para uma empresa de 60 vidas no plano:

ItemMensalDoze meses
Folha brutaR$ 250.000R$ 3.000.000
Fatura do plano (custo bruto)R$ 30.000R$ 360.000
Desconto em folha (contribuição e coparticipação)R$ 6.000R$ 72.000
Custo líquido do planoR$ 24.000R$ 288.000
Plano bruto em % da folha12,0%
Plano líquido em % da folha9,6%

O que é custo líquido por vida e como calcular?

O percentual da folha serve para o orçamento. O custo por vida serve para a gestão, porque é ele que muda com o desenho do contrato, a faixa etária e a conciliação de vidas. A conta: custo líquido do plano dividido pelo número médio de beneficiários no período (titulares e dependentes), por mês.

No exemplo acima, R$ 24.000 por mês divididos por 60 vidas dão R$ 400 por vida líquidos; o bruto é de R$ 500. Vale calcular os dois e acompanhar mês a mês. Se o custo por vida sobe sem reajuste e sem mudança de faixa, há vidas a mais na fatura ou coparticipação lançada errado. Veja a auditoria da fatura do plano.

Desconto em folha: como entra na conta?

Muitas empresas cobram parte do plano dos funcionários, como uma contribuição fixa ou um percentual, e repassam a coparticipação. Esse desconto reduz o custo líquido, mas tem dois efeitos que precisam estar na mesa.

O primeiro é de percepção: quanto maior o desconto, menor o valor percebido do benefício, e o plano é um dos benefícios mais valorizados na retenção. Veja benefícios para funcionários. O segundo é jurídico e previdenciário: a forma como o desconto e a coparticipação são tratados na folha tem reflexos trabalhistas e tributários, e também define se o ex-funcionário tem direito de manter o plano após a demissão (Lei nº 9.656/1998, art. 30, em termos gerais). Antes de criar ou mudar o desconto em folha, consulte o jurídico e a contabilidade. Sobre o tratamento tributário, veja plano de saúde da empresa e impostos.

Por que o percentual sobe mesmo sem contratar ninguém?

CausaO que aconteceO que a empresa controla
Reajuste anualInflação médica mais sinistralidade do contrato; nos contratos até 29 vidas, o índice do agrupamento (RN ANS nº 565/2022)A sinistralidade e o desenho do contrato
Mudança de faixa etáriaCada beneficiário que muda de faixa paga mais, nas regras da RN ANS nº 63/2003Conferir se a faixa cobrada está certa
Vidas a mais na faturaDesligados não excluídos, dependentes sem direitoConciliação mensal entre folha e fatura
Folha que não acompanhaSe o salário sobe menos que o plano, o percentual sobe mesmo com o plano estávelComparar a variação dos dois ao longo dos anos

O reajuste é a causa mais comum, e a parte dele que depende do uso é a que a empresa influencia. Veja como funciona o reajuste do plano de saúde.

Como apresentar o número ao financeiro?

  • Mostre o líquido e o bruto, com a diferença explicada pelo desconto em folha.
  • Mostre o percentual da folha e o custo por vida, porque respondem a perguntas diferentes: orçamento e gestão.
  • Compare com a referência de mercado (13,95% na pesquisa da Mercer Marsh) dizendo o que ela é: uma amostra de empresas maiores, com planos mais amplos.
  • Mostre a série de três anos, se houver: plano, folha e a razão entre os dois. A tendência vale mais que a foto.
  • Junte a sinistralidade acumulada, porque é ela que explica o próximo reajuste. Veja como calcular a sinistralidade.
  • Traga o que não está na fatura: atestados, afastamentos e horas extras de cobertura, que nascem das mesmas causas e não aparecem em nenhuma linha do plano.

Nenhum desses números exige dado de saúde de ninguém. A análise usa fatura, folha e relatório de utilização agregado, como manda a LGPD.

O plano em percentual da folha é o começo do mapa

Saber que o plano custa um certo percentual da folha é o primeiro número. O segundo é saber por que ele está nesse patamar e para onde vai. A consultoria da ASF monta essa conta com os dados da empresa, mapeia os custos ocultos que a fatura não mostra e atua em cada ponto que pesa na sinistralidade, com um indicador para cada ação. Para a visão completa, veja os custos ocultos da saúde na empresa.

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Leia também: os custos ocultos da saúde na empresa · renovação do plano empresarial · gestão de sinistralidade · NR-1 e riscos psicossociais · afastamentos e saúde mental.

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Perguntas que recebemos

Qual é o percentual normal do plano de saúde sobre a folha?

Na 30ª Pesquisa de Benefícios da Mercer Marsh (737 empresas), o plano representou 13,95% da folha, a segunda maior despesa depois do salário. É uma referência de empresas maiores; o da sua empresa precisa ser calculado com os seus dados.

Como calcular o custo líquido por vida?

Some as faturas do plano de doze meses, subtraia o que foi descontado dos funcionários, divida por doze e depois pelo número médio de beneficiários. O resultado é o custo mensal líquido por vida.

O desconto em folha reduz o custo do plano?

Reduz o custo líquido da empresa, mas afeta a percepção do benefício e tem reflexos trabalhistas, tributários e no direito de manutenção após a demissão. Antes de criar ou mudar o desconto, consulte o jurídico e a contabilidade.

Por que o percentual da folha sobe todo ano?

Pelo reajuste anual, pelas mudanças de faixa etária, por vidas a mais na fatura e porque a folha costuma subir menos que o plano. A parte que depende do uso, a sinistralidade, é a que a empresa mais influencia.

De onde vêm as informações

Fontes: plano de saúde como 13,95% da folha e segunda maior despesa depois do salário: Mercer Marsh Benefícios, 30ª Pesquisa de Benefícios (737 empresas). Faixas etárias: Resolução Normativa ANS nº 63/2003. Agrupamento de contratos com até 29 beneficiários: Resolução Normativa ANS nº 565/2022. Manutenção do plano após demissão: Lei nº 9.656/1998, art. 30, em termos gerais. Dado de saúde como dado pessoal sensível: Lei nº 13.709/2018 (LGPD), art. 5º, II. Os valores do exemplo são hipotéticos. Revisado pela ASF em outubro de 2026.

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