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Como calcular a sinistralidade do plano de saúde da empresa

A conta é simples: o que o plano gastou com a sua equipe dividido pelo que a empresa pagou. O difícil é achar os números certos e comparar o mesmo período.

Atualizado em 28 de outubro de 2026 Revisão: Pedro Sales, ASF Corretora Fontes citadas na página

Resposta curta

A sinistralidade é o custo assistencial (o que a operadora pagou pelo uso do plano) dividido pela receita de mensalidades que a empresa pagou no mesmo período, em percentual. Os dois números saem da fatura e do relatório de utilização da operadora. Os erros mais comuns são comparar períodos diferentes, esquecer as vidas que entraram e saíram e tratar a coparticipação de forma errada. É esse número que a operadora usa na renovação do plano de empresa.

Qual é a fórmula da sinistralidade?

Sinistralidade = custo assistencial ÷ receita de mensalidades, no mesmo período. O custo assistencial é tudo o que a operadora pagou pelo uso do plano pelos beneficiários do contrato: consultas, exames, pronto-socorro, internações, terapias e procedimentos. A receita é a soma das mensalidades que a empresa pagou pelo mesmo grupo de pessoas, no mesmo intervalo de tempo. O resultado é um percentual.

Se o contrato gastou R$ 80 para cada R$ 100 pagos, a sinistralidade é de 80%. É esse número que a operadora compara com a meta do contrato na hora de calcular o reajuste do plano coletivo empresarial. Para entender o conceito antes da conta, veja o que é sinistralidade no plano empresarial.

Onde achar cada número?

A conta exige dois documentos da operadora. Nenhum deles costuma chegar sozinho; a empresa ou a corretora precisa pedir.

NúmeroOnde estáCuidado
Receita de mensalidadesFatura mensal do plano, somada mês a mêsUsar o valor pago pelo grupo, sem multa, juros ou cobranças retroativas de outros meses
Custo assistencialRelatório de utilização da operadora, com o custo por tipo de atendimentoContas médicas chegam com atraso: o mês mais recente ainda vai crescer
CoparticipaçãoFatura ou relatório, conforme a operadoraVerificar no contrato se ela é abatida do custo ou somada à receita
Número de vidasFatura (vidas cobradas) e relatório (vidas que usaram)Entradas e saídas no período mudam os dois lados da conta

O relatório de utilização é o documento mais importante aqui. Veja como pedir e ler o relatório de utilização.

Um exemplo com números redondos

Exemplo hipotético: uma empresa com 50 vidas no plano paga, em média, R$ 600 por vida ao mês. A receita mensal é de R$ 30.000 e, em doze meses, de R$ 360.000. O relatório de utilização mostra o custo assistencial por trimestre:

PeríodoReceitaCusto assistencialSinistralidade
1º trimestreR$ 90.000R$ 60.00066,7%
2º trimestreR$ 90.000R$ 81.00090,0%
3º trimestreR$ 90.000R$ 72.00080,0%
4º trimestreR$ 90.000R$ 75.00083,3%
Doze mesesR$ 360.000R$ 288.00080,0%

Repare que a sinistralidade de um único trimestre vai de 66,7% a 90%. Nenhum deles é "a" sinistralidade do contrato. O número que a operadora usa é o acumulado do período de apuração, em geral doze meses, e é esse que a empresa deve acompanhar. Um trimestre ruim, isolado, pode ser uma internação pontual; quatro trimestres acima da meta são tendência.

Quais são os erros mais comuns no cálculo?

  • Períodos diferentes. Receita de doze meses contra custo de dez, ou custo com mês incompleto. O período de apuração do contrato costuma terminar alguns meses antes do aniversário, justamente para dar tempo de as contas chegarem. Use exatamente o mesmo intervalo nos dois lados.
  • Vidas que entraram e saíram. Quem foi desligado e ficou na fatura infla a receita; quem entrou no meio do ano e usou o plano aparece no custo. A conciliação entre folha e fatura evita os dois problemas.
  • Coparticipação contada duas vezes ou nenhuma. Dependendo da operadora, o valor que o funcionário pagou de coparticipação é abatido do custo assistencial ou somado à receita. O contrato diz qual é a regra. Veja como funciona a coparticipação.
  • Comparar com a média do setor como se fosse a meta. A sinistralidade média do setor foi de 81,7% em 2025 (ANS). É uma referência, não a meta do seu contrato, que está na cláusula de reajuste.
  • Olhar a foto de um mês. A sinistralidade mensal oscila muito, sobretudo em grupos pequenos. A série acumulada é o que mostra a tendência.

Sinistralidade mensal ou acumulada?

As duas servem, para coisas diferentes. A mensal mostra picos: um mês com internação, um mês de pronto-socorro alto no inverno. Serve para investigar o que aconteceu. A acumulada em doze meses (a soma dos custos dividida pela soma das receitas) é a que pesa no reajuste e a que mostra se as ações da empresa estão aparecendo no número.

Uma planilha simples, com uma linha por mês e as colunas receita, custo e acumulado, resolve. O importante é atualizar os meses anteriores quando a operadora enviar as contas que chegaram atrasadas, para não achar que o custo caiu quando ele só não tinha sido lançado ainda.

Em contratos pequenos, a conta vale a mesma coisa?

Em contratos coletivos com até 29 beneficiários, o reajuste é o do agrupamento da operadora, calculado sobre o conjunto dos contratos pequenos (Resolução Normativa ANS nº 565/2022). A sinistralidade do seu contrato continua existindo e continua valendo a pena calcular, porque mostra onde o uso está concentrado e orienta a revisão do contrato. Só não é ela, sozinha, que define o reajuste. A partir de 30 vidas, o número do próprio contrato é o que manda. Veja o plano de saúde para empresas a partir de 30 vidas.

O que fazer com o número depois de calcular?

Calcular é o começo. Com o acumulado na mão, a pergunta seguinte é: o que está puxando o custo? O relatório de utilização responde: pronto-socorro no lugar de consulta, internações, terapias, exames repetidos. Cada causa pede uma ação diferente, e cada ação precisa de um indicador acompanhado mês a mês. Veja como reduzir a sinistralidade do plano empresarial.

A análise é feita em números agregados. A empresa não recebe, nem deve pedir, o diagnóstico de ninguém: dado de saúde é dado pessoal sensível pela LGPD.

Calcular é o começo do mapeamento

A sinistralidade é o custo de saúde mais visível da empresa, mas não é o único. Atestados, afastamentos, horas extras de quem cobre e rotatividade nascem das mesmas causas e não aparecem em nenhuma fatura. A consultoria da ASF calcula a sinistralidade com os documentos certos, mapeia os custos ocultos ao redor dela e atua em cada ponto que pesa no cálculo. Se você ainda não tem o relatório de utilização, a gente orienta como pedir.

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Leia também: os custos ocultos da saúde na empresa · renovação do plano empresarial · gestão de sinistralidade · NR-1 e riscos psicossociais · afastamentos e saúde mental.

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Perguntas que recebemos

Qual é a fórmula da sinistralidade do plano de saúde?

Custo assistencial dividido pela receita de mensalidades, no mesmo período, em percentual. Se o plano gastou R$ 80 para cada R$ 100 que a empresa pagou, a sinistralidade é de 80%.

Onde encontro o custo assistencial do meu contrato?

No relatório de utilização da operadora, que mostra o custo por tipo de atendimento. A empresa ou a corretora precisa pedir; ele não costuma vir com a fatura.

A coparticipação entra no cálculo?

Entra, e o contrato diz como: em geral ela é abatida do custo assistencial ou somada à receita. O erro é descontar duas vezes ou não descontar.

Qual período devo usar?

O mesmo período nos dois lados da conta, de preferência o acumulado de doze meses que a operadora usa como período de apuração. Meses incompletos distorcem o resultado.

De onde vêm as informações

Fontes: sinistralidade média do setor em 2025: ANS. Agrupamento de contratos com até 29 beneficiários: Resolução Normativa ANS nº 565/2022. Dado de saúde como dado pessoal sensível: Lei nº 13.709/2018 (LGPD), art. 5º, II. Os valores do exemplo são hipotéticos. Revisado pela ASF em outubro de 2026.

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