Para RH e financeiro
Relatório de utilização do plano de saúde: o que pedir e como ler
A fatura diz quanto a empresa paga. O relatório de utilização diz onde o dinheiro foi parar. Sem ele, não dá para controlar a sinistralidade.
Resposta curta
O relatório de utilização é o documento em que a operadora mostra como o contrato da empresa usou o plano: consultas, exames, pronto-socorro, internações e terapias, com custo e quantidade. É a base para entender a sinistralidade e o reajuste. A empresa recebe só números agregados, sem identificar diagnóstico de ninguém, como manda a LGPD.
O que pedir à operadora
O nome e o formato mudam de operadora para operadora. O que importa é o conteúdo. Peça, de preferência mês a mês e cobrindo pelo menos os últimos doze meses:
- Receita e custo por mês: quanto a empresa pagou e quanto o uso custou. É daí que sai a sinistralidade.
- Uso por tipo de atendimento: consultas, exames, pronto-socorro, internações, terapias e outros.
- Concentração do uso: quanto do custo ficou com os casos de maior valor, sem identificar as pessoas.
- Internações: quantidade, dias e grandes grupos de doença.
- Perfil da carteira: número de vidas, faixa etária, titulares e dependentes.
Na renovação, há outro documento: a operadora deve entregar à empresa o extrato com a memória de cálculo do reajuste pelo menos 30 dias antes de aplicá-lo (Resolução Normativa ANS nº 509/2022). Os dois juntos mostram de onde veio o número.
Como ler, em quatro perguntas
| Pergunta | Onde olhar | O que pode indicar |
|---|---|---|
| O custo é pontual ou recorrente? | Concentração e internações | Um caso grande no ano pesa diferente de um aumento constante |
| A porta de entrada é a certa? | Pronto-socorro × consultas | PS alto e poucas consultas sugere uso sem orientação. Veja o PS no plano da empresa |
| Há risco crescendo em silêncio? | Internações e grupos de doença | Complicação de doença crônica sem acompanhamento. Veja doenças crônicas |
| O último mês está completo? | Série mês a mês | Contas médicas chegam com atraso: o mês mais recente costuma parecer menor do que vai ser |
Esse último ponto engana muita gente. Um relatório que mostra a sinistralidade caindo no mês mais recente pode estar só incompleto. Compare sempre a série inteira, e não a foto do último mês.
Erros comuns na leitura
- Olhar só o total do ano. O total esconde a tendência. A série mês a mês mostra se o uso está subindo ou se foi um pico.
- Comparar com a média do mercado. A sinistralidade média do setor foi de 81,7% em 2025 (ANS), mas o que pesa no seu reajuste é o seu contrato e as regras dele.
- Tentar descobrir quem usou. Não é o objetivo e nem é permitido. Dado de saúde é dado pessoal sensível pela LGPD. O que interessa é o padrão.
- Ler o relatório sozinho. O uso do plano faz mais sentido ao lado dos atestados, dos afastamentos e da rotina de cada área.
Quem deve ler, e quando
O relatório costuma ficar com quem recebe a fatura, e para por ali. Ele rende mais quando passa por três mãos: o financeiro, que acompanha o custo; o RH, que conhece a rotina, os atestados e os afastamentos; e a medicina do trabalho, quando houver, que ajuda a entender os grupos de doença. Cada um enxerga uma parte da causa.
Sobre a frequência, o ideal é olhar a série todo mês ou a cada trimestre, e não só na renovação. Na véspera do reajuste, o relatório explica o número, mas já não dá tempo de mudar o uso. Ao longo do ano, ele mostra onde agir enquanto ainda há tempo de a ação aparecer na sinistralidade.
Uma dica prática: guarde todos os relatórios em uma mesma planilha, mês a mês. Isso permite comparar períodos iguais, ver o efeito de cada ação e chegar à negociação com a própria série, sem depender só da leitura da operadora.
O relatório é o começo do mapeamento
O relatório de utilização mostra o sintoma. A causa costuma estar em outro lugar: no processo de trabalho, na saúde mental, no crônico sem acompanhamento. A consultoria da ASF lê o relatório junto com os outros custos ocultos da empresa e mostra onde agir. Se você ainda não tem o relatório, a gente orienta como pedir. Veja também a gestão de sinistralidade.
Leia também: os custos ocultos da saúde na empresa · renovação do plano empresarial · gestão de sinistralidade · NR-1 e riscos psicossociais · afastamentos e saúde mental.
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Perguntas que recebemos
A operadora é obrigada a mandar o relatório de utilização?
Na renovação, a operadora deve entregar o extrato com a memória de cálculo do reajuste pelo menos 30 dias antes (RN ANS nº 509/2022). O relatório de uso detalhado costuma ser pedido pela empresa ou pela corretora; orientamos como pedir.
O relatório mostra o nome de quem usou o plano?
Não deve mostrar diagnóstico individual para a empresa. Dado de saúde é dado pessoal sensível pela LGPD. A análise é feita com números agregados.
Com que frequência vale olhar o relatório?
Ao longo do ano, e não só na renovação. Acompanhar a série mês a mês permite agir antes de o uso virar reajuste.
Empresa pequena recebe relatório?
Depende da operadora e do contrato. Em contratos com até 29 beneficiários, o reajuste é o do agrupamento da operadora (RN ANS nº 565/2022), e o relatório pesa mais na revisão do contrato.
De onde vêm as informações
Fontes: extrato e memória de cálculo do reajuste: Resolução Normativa ANS nº 509/2022. Agrupamento de contratos com até 29 beneficiários: Resolução Normativa ANS nº 565/2022. Sinistralidade média do setor em 2025: ANS. Dado de saúde como dado pessoal sensível: Lei nº 13.709/2018 (LGPD), art. 5º, II. Revisado pela ASF em outubro de 2026.