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Sinistralidade alta no plano da empresa: o que fazer agora

A operadora avisou que a sinistralidade está alta. Antes de aceitar o reajuste ou cortar o plano, vale entender de onde vem o número.

Atualizado em 17 de outubro de 2026 Revisão: Pedro Sales, ASF Corretora Fontes citadas na página

Resposta curta

Sinistralidade alta significa que o uso do plano custou mais do que a operadora considera equilibrado para o que a empresa paga. O primeiro passo é pedir os dados: o relatório de utilização e a memória de cálculo do reajuste. O segundo é separar o pontual do recorrente. O terceiro é agir na causa, que quase sempre está na rotina da empresa. Como o reajuste é calculado sobre a sinistralidade, é esse controle que leva a um reajuste menor.

Primeiro: entender o número

Sinistralidade é o custo do uso dividido pelo que a empresa pagou. Quando ela passa do ponto que o contrato considera equilibrado, a operadora pede reajuste para cobrir a diferença. Mas o mesmo número pode ter causas muito diferentes, e cada uma pede uma resposta diferente.

Também vale saber em que regra o contrato está. Contratos coletivos com até 29 beneficiários recebem o reajuste do agrupamento da operadora (Resolução Normativa ANS nº 565/2022). A partir de 30 vidas, a sinistralidade do próprio contrato pesa diretamente no reajuste.

O que fazer, em ordem

  • 1. Peça os documentos. O relatório de utilização mês a mês e, na renovação, o extrato com a memória de cálculo do reajuste, que a operadora deve entregar pelo menos 30 dias antes (RN ANS nº 509/2022).
  • 2. Confira o cálculo. Período de observação, meses incompletos e parâmetros usados. Às vezes há erro a corrigir.
  • 3. Separe o pontual do recorrente. Uma internação grande no ano pesa diferente de um aumento constante de pronto-socorro.
  • 4. Encontre a causa. Cruze o uso do plano com atestados, afastamentos e a rotina das áreas.
  • 5. Aja e meça. Poucas ações, cada uma com um indicador acompanhado mês a mês.
  • 6. Chegue à negociação com os números explicados. Quem mostra o que está fazendo tem outra conversa com a operadora.

Pontual ou recorrente?

TipoExemploO que fazer
PontualUma cirurgia ou internação de alto custo que não deve se repetirMostrar na negociação que o evento foi isolado e acompanhar o caso com sigilo
Recorrente de usoPronto-socorro alto, poucas consultasOrientar o caminho certo de atendimento. Veja o PS no plano da empresa
Recorrente de saúdeCrônicos sem acompanhamento, saúde mentalIdentificar grupos de risco de forma anônima e encaminhar. Veja doenças crônicas
Recorrente de processoUso concentrado numa área, turno ou unidadeOlhar escala, pausas, metas e condições de trabalho
De contratoRede, acomodação ou coparticipação fora do perfilRevisar o desenho do contrato e, se fizer sentido, comparar opções

O que evitar

  • Trocar de operadora no impulso. Se a causa está na rotina da empresa, ela vai junto para o contrato novo.
  • Cortar o benefício. O plano é um dos benefícios mais valorizados pela equipe. Veja o plano e a retenção de talentos.
  • Esperar a carta do reajuste. Quando ela chega, a conta já está feita. Ação sobre o uso leva meses para aparecer.
  • Comparar só com a média. A sinistralidade média do setor foi de 81,7% em 2025 (ANS), mas o seu reajuste depende do seu contrato.

Quem envolver na empresa

Sinistralidade alta costuma cair só no colo do financeiro, que recebe a carta. Mas a causa está espalhada. O RH conhece os atestados, a rotatividade e as áreas com mais desgaste. A segurança e a medicina do trabalho conhecem os riscos de cada função e o que a NR-1 exige sobre os riscos psicossociais. A liderança das áreas conhece escala, metas e pausas. Juntar essas pessoas numa conversa, com o relatório de utilização na mesa, já muda a qualidade das respostas.

Sinistralidade alta é sintoma

O número que a operadora mostra é o fim de uma cadeia: processo mal desenhado, desgaste, atestado, pronto-socorro, internação. Os mesmos fatores aparecem em afastamentos, absenteísmo e risco trabalhista, em áreas que não conversam entre si. A consultoria da ASF mapeia esses custos ocultos juntos e mostra onde agir. O controle de sinistralidade atua em cada ponto que pesa no cálculo, e é isso que leva a um reajuste menor. Veja como funciona a redução da sinistralidade.

Leia também: os custos ocultos da saúde na empresa · renovação do plano empresarial · gestão de sinistralidade · NR-1 e riscos psicossociais · afastamentos e saúde mental.

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Perguntas que recebemos

A sinistralidade alta sempre vira reajuste alto?

Nos contratos a partir de 30 vidas, ela pesa diretamente no cálculo. Mas o cálculo pode ser conferido e negociado, e a causa pode ser tratada antes da próxima renovação.

Vale trocar de operadora quando a sinistralidade está alta?

Às vezes, mas não como primeira resposta. Se a causa está na rotina da empresa, ela continua no contrato novo. Primeiro vale entender o número.

O que levar para a primeira conversa?

A última fatura do plano, o relatório de utilização da operadora e, se já recebeu, o extrato com a memória de cálculo do reajuste.

Vocês garantem um percentual de reajuste?

Não. Quem define o reajuste é a operadora. Nós atuamos sobre o que pesa no cálculo e conduzimos a conversa técnica com os números explicados.

De onde vêm as informações

Fontes: extrato e memória de cálculo do reajuste: Resolução Normativa ANS nº 509/2022. Agrupamento de contratos com até 29 beneficiários: Resolução Normativa ANS nº 565/2022. Sinistralidade média do setor em 2025: ANS. Revisado pela ASF em outubro de 2026.

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