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Para RH e lideranças

Presenteísmo: o que é e quanto custa para a empresa

O colaborador está ali, bate o ponto, cumpre o horário. Mas não está bem, e a produção mostra isso antes de qualquer relatório.

Atualizado em 17 de outubro de 2026 Revisão: Pedro Sales, ASF Corretora Fontes citadas na página

Resposta curta

Presenteísmo é quando o colaborador vai trabalhar, mas não tem condições de render, por doença, dor, cansaço ou sofrimento mental. Ele não aparece no ponto nem na folha, por isso é um dos custos mais difíceis de ver. Costuma vir antes do atestado e do afastamento: é o mesmo problema, num estágio mais cedo e mais barato de tratar.

O que é presenteísmo

Presenteísmo é a presença sem rendimento. A pessoa está no posto, mas trabalha com dor nas costas, enxaqueca, gripe mal curada, noite mal dormida ou ansiedade. Faz menos, erra mais e demora mais para decidir.

É o oposto do absenteísmo só na aparência. Os dois têm a mesma origem: saúde que não vai bem e rotina que pesa. A diferença é que a falta aparece no ponto, e o presenteísmo não aparece em lugar nenhum.

Por que ele acontece

  • Medo de faltar: receio de perder o emprego, a meta ou o prêmio de assiduidade.
  • Doenças crônicas sem acompanhamento: dor, diabetes ou pressão alta mal controladas tiram rendimento todos os dias.
  • Saúde mental: ansiedade, depressão e esgotamento reduzem atenção e memória antes de virar atestado. Em 2025 foram 546.254 afastamentos por transtornos mentais no país (Ministério da Previdência Social, dado preliminar).
  • Processo que desgasta: metas sem limite, escala sem descanso, pausas que não acontecem, posto sem ergonomia.
  • Cultura de "estar sempre disponível": quando a liderança trabalha doente, o time entende que é isso que se espera.

Como identificar o presenteísmo

Como não há registro, ele se mostra pelos efeitos. Sinais que vale acompanhar:

SinalOnde aparece
Queda de produção sem mudança de processoIndicadores da operação
Mais erros, retrabalho e pequenos acidentesQualidade e segurança do trabalho
Atestados curtos repetidos na mesma pessoa ou equipeControle de ponto e RH
Uso frequente de pronto-socorro e consultas avulsasRelatório de uso do plano de saúde
Queixas de cansaço, irritação e conflitoConversa com líderes e pesquisa interna

Uma pesquisa de riscos psicossociais, feita de forma anônima, ajuda a medir o que o ponto não mostra. Ela também atende a exigência da NR-1 de identificar esses riscos, em vigor desde 26 de maio de 2026.

Quanto o presenteísmo custa

Não existe um número único que sirva para todas as empresas, e desconfie de quem oferece um. O custo depende da função, do salário e do quanto a produção cai. Uma forma prática de estimar dentro da sua empresa:

  • Escolha uma equipe e um indicador de produção que já existe (peças, atendimentos, vendas, entregas).
  • Compare os períodos com mais queixas de saúde e atestados com os períodos normais.
  • Multiplique a diferença de produção pelo valor da hora trabalhada da equipe.

O resultado é uma estimativa, e deve ser apresentado assim. Mesmo aproximado, ele costuma mostrar que o custo de quem trabalha sem condições é maior que o custo de quem falta.

O que a empresa pode fazer

  • Tirar o incentivo errado: prêmio que pune qualquer falta empurra gente doente para o trabalho.
  • Acompanhar doentes crônicos com programa de saúde, para a doença não virar internação.
  • Revisar a rotina: pausas, metas e escala entram no gerenciamento de riscos da NR-1.
  • Treinar a liderança para perceber o sinal cedo e encaminhar ao médico do trabalho.

Onde o presenteísmo e o plano de saúde se encontram

Quem trabalha doente costuma adiar o tratamento. A consulta de rotina vira ida ao pronto-socorro no fim do dia, o exame que ficou para depois vira um quadro mais caro, e a dor tratada só com remédio por conta própria vira fisioterapia longa. Tudo isso entra no uso do plano e, por consequência, na sinistralidade sobre a qual o reajuste é calculado. Acompanhar o uso do plano por tipo de atendimento ajuda a enxergar esse movimento antes da renovação.

Presenteísmo e o mapeamento da ASF

O presenteísmo é o começo do caminho que termina em sinistralidade, afastamento e risco trabalhista. A consultoria da ASF cruza o uso do plano, os atestados e as condições de trabalho para mostrar onde o desgaste está concentrado e o que fazer primeiro. A gestão vê dados agregados e anônimos; a informação de saúde de cada pessoa fica protegida.

Leia também: os custos ocultos da saúde na empresa · renovação do plano empresarial · gestão de sinistralidade · NR-1 e riscos psicossociais · afastamentos e saúde mental.

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Perguntas que recebemos

Presenteísmo é a mesma coisa que falta de comprometimento?

Não. Na maioria dos casos a pessoa está se esforçando para estar presente, mas não tem condições de saúde para render. Tratar como comportamento costuma piorar o quadro.

Como medir o presenteísmo?

Não há registro direto. Ele aparece na queda de produção, em erros, em atestados curtos repetidos e no uso do plano. Pesquisas anônimas ajudam a completar o quadro.

Prêmio de assiduidade aumenta o presenteísmo?

Pode aumentar quando pune qualquer falta, inclusive por doença, porque incentiva a pessoa a trabalhar doente. Vale revisar o desenho do prêmio.

O presenteísmo tem relação com a NR-1?

Sim. Sobrecarga, metas e falta de pausas são riscos psicossociais que a NR-1 manda identificar e tratar no gerenciamento de riscos desde 26 de maio de 2026.

De onde vêm as informações

Afastamentos por transtornos mentais: Ministério da Previdência Social, janeiro de 2026 (dado preliminar de 2025). NR-1: Portaria MTE nº 1.419/2024, com vigência das exigências psicossociais em 26/05/2026 (Portaria MTE nº 765/2025). Revisado pela ASF em outubro de 2026.

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