Para RH e lideranças
Presenteísmo: o que é e quanto custa para a empresa
O colaborador está ali, bate o ponto, cumpre o horário. Mas não está bem, e a produção mostra isso antes de qualquer relatório.
Resposta curta
Presenteísmo é quando o colaborador vai trabalhar, mas não tem condições de render, por doença, dor, cansaço ou sofrimento mental. Ele não aparece no ponto nem na folha, por isso é um dos custos mais difíceis de ver. Costuma vir antes do atestado e do afastamento: é o mesmo problema, num estágio mais cedo e mais barato de tratar.
O que é presenteísmo
Presenteísmo é a presença sem rendimento. A pessoa está no posto, mas trabalha com dor nas costas, enxaqueca, gripe mal curada, noite mal dormida ou ansiedade. Faz menos, erra mais e demora mais para decidir.
É o oposto do absenteísmo só na aparência. Os dois têm a mesma origem: saúde que não vai bem e rotina que pesa. A diferença é que a falta aparece no ponto, e o presenteísmo não aparece em lugar nenhum.
Por que ele acontece
- Medo de faltar: receio de perder o emprego, a meta ou o prêmio de assiduidade.
- Doenças crônicas sem acompanhamento: dor, diabetes ou pressão alta mal controladas tiram rendimento todos os dias.
- Saúde mental: ansiedade, depressão e esgotamento reduzem atenção e memória antes de virar atestado. Em 2025 foram 546.254 afastamentos por transtornos mentais no país (Ministério da Previdência Social, dado preliminar).
- Processo que desgasta: metas sem limite, escala sem descanso, pausas que não acontecem, posto sem ergonomia.
- Cultura de "estar sempre disponível": quando a liderança trabalha doente, o time entende que é isso que se espera.
Como identificar o presenteísmo
Como não há registro, ele se mostra pelos efeitos. Sinais que vale acompanhar:
| Sinal | Onde aparece |
|---|---|
| Queda de produção sem mudança de processo | Indicadores da operação |
| Mais erros, retrabalho e pequenos acidentes | Qualidade e segurança do trabalho |
| Atestados curtos repetidos na mesma pessoa ou equipe | Controle de ponto e RH |
| Uso frequente de pronto-socorro e consultas avulsas | Relatório de uso do plano de saúde |
| Queixas de cansaço, irritação e conflito | Conversa com líderes e pesquisa interna |
Uma pesquisa de riscos psicossociais, feita de forma anônima, ajuda a medir o que o ponto não mostra. Ela também atende a exigência da NR-1 de identificar esses riscos, em vigor desde 26 de maio de 2026.
Quanto o presenteísmo custa
Não existe um número único que sirva para todas as empresas, e desconfie de quem oferece um. O custo depende da função, do salário e do quanto a produção cai. Uma forma prática de estimar dentro da sua empresa:
- Escolha uma equipe e um indicador de produção que já existe (peças, atendimentos, vendas, entregas).
- Compare os períodos com mais queixas de saúde e atestados com os períodos normais.
- Multiplique a diferença de produção pelo valor da hora trabalhada da equipe.
O resultado é uma estimativa, e deve ser apresentado assim. Mesmo aproximado, ele costuma mostrar que o custo de quem trabalha sem condições é maior que o custo de quem falta.
O que a empresa pode fazer
- Tirar o incentivo errado: prêmio que pune qualquer falta empurra gente doente para o trabalho.
- Acompanhar doentes crônicos com programa de saúde, para a doença não virar internação.
- Revisar a rotina: pausas, metas e escala entram no gerenciamento de riscos da NR-1.
- Treinar a liderança para perceber o sinal cedo e encaminhar ao médico do trabalho.
Onde o presenteísmo e o plano de saúde se encontram
Quem trabalha doente costuma adiar o tratamento. A consulta de rotina vira ida ao pronto-socorro no fim do dia, o exame que ficou para depois vira um quadro mais caro, e a dor tratada só com remédio por conta própria vira fisioterapia longa. Tudo isso entra no uso do plano e, por consequência, na sinistralidade sobre a qual o reajuste é calculado. Acompanhar o uso do plano por tipo de atendimento ajuda a enxergar esse movimento antes da renovação.
Presenteísmo e o mapeamento da ASF
O presenteísmo é o começo do caminho que termina em sinistralidade, afastamento e risco trabalhista. A consultoria da ASF cruza o uso do plano, os atestados e as condições de trabalho para mostrar onde o desgaste está concentrado e o que fazer primeiro. A gestão vê dados agregados e anônimos; a informação de saúde de cada pessoa fica protegida.
Leia também: os custos ocultos da saúde na empresa · renovação do plano empresarial · gestão de sinistralidade · NR-1 e riscos psicossociais · afastamentos e saúde mental.
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Perguntas que recebemos
Presenteísmo é a mesma coisa que falta de comprometimento?
Não. Na maioria dos casos a pessoa está se esforçando para estar presente, mas não tem condições de saúde para render. Tratar como comportamento costuma piorar o quadro.
Como medir o presenteísmo?
Não há registro direto. Ele aparece na queda de produção, em erros, em atestados curtos repetidos e no uso do plano. Pesquisas anônimas ajudam a completar o quadro.
Prêmio de assiduidade aumenta o presenteísmo?
Pode aumentar quando pune qualquer falta, inclusive por doença, porque incentiva a pessoa a trabalhar doente. Vale revisar o desenho do prêmio.
O presenteísmo tem relação com a NR-1?
Sim. Sobrecarga, metas e falta de pausas são riscos psicossociais que a NR-1 manda identificar e tratar no gerenciamento de riscos desde 26 de maio de 2026.
De onde vêm as informações
Afastamentos por transtornos mentais: Ministério da Previdência Social, janeiro de 2026 (dado preliminar de 2025). NR-1: Portaria MTE nº 1.419/2024, com vigência das exigências psicossociais em 26/05/2026 (Portaria MTE nº 765/2025). Revisado pela ASF em outubro de 2026.