Para o dono, o financeiro e o RH
Quanto custa a saúde da equipe além do plano: a conta completa da PME
A fatura do plano chega todo mês. Atestado, afastamento e reposição chegam espalhados, em linhas que ninguém soma. A conta completa é maior do que parece.
Resposta curta
A saúde da equipe custa em quatro lugares: a fatura do plano, os dias de atestado pagos pela empresa, os afastamentos e a reposição de quem sai ou falta. Em empresas médias e grandes, o plano foi estimado em cerca de R$ 709,50 por funcionário por mês e 15,8% da folha (Mercer Marsh Benefícios, 32ª Pesquisa de Benefícios, 2025). A perda de produtividade ligada à saúde foi 2,3 vezes o gasto médico nas empresas estudadas (Loeppke et al., JOEM, 2009). A PME monta a conta com quatro números, por mês, sem nome de ninguém.
Quanto a saúde da equipe custa de verdade?
Mais do que a fatura do plano. A conta completa soma quatro partes: o plano, os atestados, os afastamentos e a reposição. As quatro têm a mesma origem, a saúde das pessoas, mas aparecem em áreas diferentes da empresa.
O financeiro vê o plano. O departamento pessoal vê o atestado. O RH vê a vaga aberta. O dono vê a hora extra para cobrir. Ninguém vê a soma. Este artigo mostra o tamanho de cada parte, com o que a pesquisa mediu, e como montar a conta.
A parte visível: o plano
A pesquisa da Mercer Marsh Benefícios (32ª Pesquisa de Benefícios, 2025) indicou, para empresas médias e grandes, cerca de R$ 709,50 por funcionário por mês em 2025. Na mesma pesquisa, o plano representou 15,8% da folha, o segundo maior custo depois dos salários.
A ressalva importa. A pesquisa ouviu 1.007 empresas de médio e grande porte, clientes e respondentes da consultoria. Numa empresa de 10 a 200 pessoas, o valor por vida depende da faixa etária da equipe, da rede e da coparticipação. O número da Mercer serve para dimensionar a ordem de grandeza, não para comparar com a sua fatura. Veja quanto o plano pesa na folha.
A parte que a pesquisa diz ser maior: produtividade
A perda de produtividade ligada à saúde foi 2,3 vezes o gasto médico e farmacêutico nas empresas estudadas (Loeppke et al., JOEM, 2009). O estudo cruzou dados de dez empregadores dos Estados Unidos, com mais de 150 mil empregados, e questionários de 51.648 trabalhadores.
Há também literatura brasileira sobre presenteísmo, em estudos de universidades com trabalhadores de São Paulo e da Bahia. Nenhum deles traz um custo nacional para as empresas com fonte confirmada. Por isso este artigo não usa número brasileiro de presenteísmo. Usa a ordem de grandeza do estudo americano e a conta da própria empresa.
Dois termos. Absenteísmo é a falta ao trabalho por saúde. Presenteísmo é estar no posto rendendo menos por causa da saúde. O estudo somou os dois. A limitação é que o presenteísmo foi declarado pelo próprio trabalhador, o que pode inflar ou reduzir o número. Mesmo assim, o recado é a ordem de grandeza: nas empresas estudadas, a parte que não aparece na fatura foi a maior.
As quatro linhas da conta da PME
| Linha | O que entra | Onde o dado está |
|---|---|---|
| Plano | Fatura mensal, coparticipação paga pela empresa, vidas que já saíram e seguem na fatura | Fatura da operadora e folha |
| Atestados | Dias de atestado até o 15º dia, pagos pela empresa (Lei nº 8.213/1991, art. 60), e horas extras para cobrir | Departamento pessoal |
| Afastamentos | Afastamentos acima de 15 dias: posto vago, substituto, encargos que continuam | Departamento pessoal e INSS |
| Reposição | Rescisão, seleção, treinamento e meses de rendimento menor de quem entra | RH e financeiro |
Nenhuma linha pede nome ou diagnóstico. A conta é por setor e por mês. Dado de saúde de uma pessoa é dado sensível, e a gestão só vê o agregado (Lei nº 13.709/2018, art. 5º, II). Para dúvidas sobre o que a empresa paga no afastamento e sobre estabilidade, consulte o jurídico.
Como montar a conta em um mês
- Semana 1: o plano. Some as 12 últimas faturas. Confira se há vida desligada ainda cobrada. Anote o valor por funcionário ativo.
- Semana 2: atestados. Some os dias de atestado dos últimos 12 meses, por setor e por mês. Multiplique pelo custo médio do dia de trabalho do setor.
- Semana 3: afastamentos. Liste os afastamentos acima de 15 dias, a duração e o custo do substituto ou da hora extra. Sem nome.
- Semana 4: reposição. Conte quantas pessoas saíram no ano e estime o custo médio de repor uma: rescisão, seleção, treinamento. Veja a conta completa do afastamento.
No fim do mês, a empresa tem o custo total da saúde da equipe, por mês e por setor. Ele é a base para qualquer decisão sobre o plano.
Um exemplo sem número real. Uma empresa de 60 pessoas descobre que os dias de atestado de um setor custam mais que a diferença de preço entre duas propostas de plano. A decisão muda de lugar. Antes de trocar de operadora, ela olha a escala daquele setor. É esse tipo de leitura que a conta completa permite.
O que a conta muda nas decisões
Muda a pergunta. Em vez de "o plano está caro?", a empresa pergunta "onde a saúde está custando?". Se os atestados se concentram num setor, o problema não está no plano. Se o pronto-socorro domina o relatório de utilização, a orientação sobre a rede pesa mais que trocar de operadora. O relatório de utilização é o documento da operadora com o uso do contrato por tipo de atendimento. Veja os custos ocultos da saúde na empresa.
A conta também protege o dono de promessas. Quem oferece "redução de tanto por cento" sem conhecer essas quatro linhas não tem base para a promessa. A medição é a da empresa, antes e depois.
Como a ASF auxilia a PME a montar a conta
Mapeamos as quatro linhas com a empresa: fatura, atestados, afastamentos e reposição, sempre por setor e sem nome. Lemos o relatório de utilização e explicamos o que puxa o custo do plano. Não projetamos percentual de economia; mostramos onde o dinheiro está indo e acompanhamos o que muda mês a mês. O mapeamento é sem custo. Veja o plano de saúde empresarial.

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Perguntas que recebemos
Quanto custa em média o plano de saúde por funcionário?
Em empresas médias e grandes, cerca de R$ 709,50 por funcionário por mês em 2025 e 15,8% da folha (Mercer Marsh Benefícios, 32ª Pesquisa, 1.007 empresas). Na PME, o valor depende da idade da equipe, da rede e da coparticipação; esse número é ordem de grandeza, não referência para a sua fatura.
A perda de produtividade por saúde é mesmo maior que o gasto com o plano?
Nas empresas estudadas por Loeppke e colegas (JOEM, 2009), foi 2,3 vezes maior, somando faltas e queda de rendimento. É dado observacional e declarado pelo trabalhador, mas a ordem de grandeza é o recado.
Preciso de sistema para montar essa conta?
Não. Quatro números por setor e por mês, numa planilha, bastam numa empresa de 10 a 200 pessoas. O que importa é não misturar dado de uma pessoa: só o agregado.
Os primeiros 15 dias de atestado são pagos pela empresa?
Sim, no afastamento por doença o empregador paga os primeiros 15 dias e o INSS assume a partir do 16º (Lei nº 8.213/1991, art. 60). Para o caso concreto e para estabilidade, consulte o jurídico.
De onde vêm as informações
Fontes: custo do plano por funcionário e participação na folha: Mercer Marsh Benefícios, 32ª Pesquisa de Benefícios, 2025 (1.007 empresas brasileiras de médio e grande porte; pesquisa da consultoria). Perda de produtividade 2,3 vezes o gasto médico: Loeppke et al., Journal of Occupational and Environmental Medicine, 2009 (10 empregadores, mais de 150 mil empregados, 51.648 respondentes; observacional). Literatura brasileira sobre presenteísmo, sem custo nacional: dissertação da USP (2018) e estudo com trabalhadores da indústria na Bahia (Revista Brasileira de Saúde Ocupacional). Primeiros 15 dias pagos pela empresa: Lei nº 8.213/1991, art. 60. Dado de saúde como dado sensível: Lei nº 13.709/2018, art. 5º, II. Revisado pela ASF em outubro de 2026.