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Quanto custa um afastamento para a empresa?

Não existe um valor único. Existe uma conta com cinco parcelas, e a maioria das empresas só enxerga a primeira: o salário dos dias parados.

Atualizado em 28 de outubro de 2026 Revisão: Pedro Sales, ASF Corretora Fontes citadas na página

Resposta curta

O custo de um afastamento para a empresa começa nos 15 primeiros dias, pagos pelo empregador antes de o INSS assumir (Lei 8.213/1991, art. 60), e segue em parcelas que raramente entram na conta: reposição da função, horas extras de quem cobre, o efeito no FAP, que multiplica a alíquota do RAT (Decreto 3.048/1999), e a estabilidade de 12 meses depois de afastamento acidentário (art. 118). O resultado é uma faixa, que vai do salário dos dias parados até várias vezes esse valor.

Quais são as cinco parcelas do custo de um afastamento?

Quando um colaborador se afasta, o financeiro vê o salário dos dias em que ele não trabalhou. É a parcela mais visível e, em geral, a menor. As outras quatro aparecem em outras linhas do orçamento, em outros meses e, às vezes, em outros anos.

ParcelaO que éQuando apareceOnde aparece
1. Os 15 primeiros diasSalário e encargos do período pago pela empresa antes do INSS (Lei 8.213/1991, art. 60)No mês do afastamentoFolha
2. ReposiçãoTemporário, contratação ou redistribuição da funçãoA partir da segunda semanaFolha ou serviços
3. Horas extras de quem cobreAdicional pago aos colegas que absorvem o trabalhoDurante todo o afastamentoFolha
4. Efeito no FAPAfastamento acidentário entra no cálculo do FAP, que multiplica a alíquota do RATNos anos seguintesGuia de recolhimento
5. Estabilidade acidentáriaGarantia de 12 meses no emprego após o auxílio-doença acidentário (art. 118)No retorno e em eventual desligamentoRisco trabalhista

Os 15 primeiros dias: quanto a empresa paga?

Pela Lei nº 8.213/1991, art. 60, os 15 primeiros dias de afastamento por incapacidade são pagos pela empresa; a partir do 16º, o benefício passa ao INSS. Na prática, isso significa que todo afastamento curto é integralmente custo da empresa, e os longos começam com 15 dias de salário e encargos sem trabalho em troca. Para uma empresa com muitos atestados de dois ou três dias, essa parcela sozinha, somada ao longo do ano, costuma surpreender. Veja o que fazer com atestados médicos recorrentes.

Há um detalhe que pesa: se o mesmo colaborador se afasta de novo pela mesma causa dentro de um intervalo curto, a contagem dos 15 dias pode ser somada, e a regra tem particularidades. Confirme com o jurídico ou com a contabilidade como ela se aplica ao seu caso.

Reposição e horas extras: o custo de quem cobre

Em uma empresa de 10 a 100 funcionários, raramente existe alguém sobrando. Quando uma pessoa se afasta, o trabalho é redistribuído entre os colegas, que fazem hora extra, ou a empresa contrata um temporário, que precisa ser treinado. Nos dois casos o custo é real e não aparece como "afastamento" em lugar nenhum: aparece como hora extra na folha ou como serviço contratado.

Há ainda o efeito em cadeia. Quem cobre por semanas acumula desgaste, e o segundo atestado costuma vir dali. É por isso que afastamento concentrado em uma área é um sinal para olhar a rotina daquela área, não só a pessoa afastada.

FAP: como um afastamento vira custo por anos?

A empresa recolhe a contribuição ao RAT (Riscos Ambientais do Trabalho), com alíquota de 1%, 2% ou 3% sobre a folha, conforme a atividade. Essa alíquota é multiplicada pelo FAP (Fator Acidentário de Prevenção), que vai de 0,5 a 2,0 (Decreto nº 3.048/1999). O FAP é calculado a partir do histórico de acidentes e afastamentos acidentários da empresa, comparado ao do setor.

Na prática, um afastamento com nexo com o trabalho (acidente, doença ocupacional, ou um afastamento que o INSS enquadra como acidentário pelo nexo epidemiológico) pode elevar o FAP e, com ele, o valor recolhido sobre toda a folha, por anos. Esse é o custo mais invisível da lista, porque aparece em uma guia de imposto e ninguém o liga ao afastamento que o causou. Veja como o FAP funciona e como a empresa pode agir.

Estabilidade acidentária: o custo que aparece na demissão

Quem se afasta por acidente de trabalho ou doença ocupacional e recebe auxílio-doença acidentário tem garantia de 12 meses de manutenção do contrato de trabalho depois do fim do benefício (Lei nº 8.213/1991, art. 118). Para a empresa, isso significa que a decisão de desligar fica limitada por um ano, e que um desligamento feito sem observar a regra vira passivo trabalhista.

Esse é um tema jurídico com particularidades: o que conta como acidentário, como o nexo é estabelecido, o que acontece em caso de desligamento durante a estabilidade. Antes de qualquer decisão sobre um colaborador que voltou de afastamento, consulte o jurídico. Veja estabilidade acidentária e risco trabalhista.

Como montar a conta em faixa para a sua empresa?

Como as parcelas variam muito, a conta honesta é uma faixa, não um número. O exemplo abaixo é hipotético, com números redondos, só para mostrar a estrutura:

  • Piso: o salário dos dias parados, mais encargos. Para um salário de R$ 3.000, um afastamento de 15 dias começa em R$ 1.500 mais os encargos sobre esse valor.
  • Mais reposição: se a função precisou de temporário ou de contratação, some o custo do período, incluindo treinamento.
  • Mais horas extras: some o adicional pago aos colegas que cobriram, pelo tempo do afastamento.
  • Mais o efeito no FAP: se o afastamento foi acidentário, estime o impacto na alíquota sobre a folha nos anos seguintes, com a contabilidade.
  • Mais o risco da estabilidade: se houve nexo com o trabalho, considere os 12 meses de estabilidade no planejamento, com o jurídico.

O resultado vai do piso, para um afastamento curto sem reposição, até várias vezes esse valor, para um afastamento longo, acidentário, com temporário e estabilidade. É essa faixa que deve entrar no orçamento, e não só a primeira linha.

Quanto custa não agir?

A Pesquisa de Gestão de Absenteísmo da Mercer Marsh Benefícios (2023) apontou 5,4 dias perdidos por trabalhador por ano. Em uma empresa de 50 pessoas, são 270 dias de trabalho por ano, pagos sem trabalho em troca, antes de contar reposição, hora extra e FAP. E a tendência é de alta nos afastamentos ligados à saúde mental: 546.254 afastamentos por transtornos mentais em 2025, aumento de 15,66% (Ministério da Previdência Social, janeiro de 2026). Veja afastamentos e saúde mental nas empresas.

A boa notícia é que o afastamento responde a ação: contato nas primeiras semanas, retorno organizado e tratamento da causa que se repete por área encurtam o tempo parado. Veja como reduzir afastamentos na empresa. Toda a análise é feita com dados agregados; a gestão não vê diagnóstico de ninguém, como manda a LGPD.

Afastamento é o custo oculto mais caro

O afastamento aparece na folha como salário, no mês como hora extra, no ano seguinte como FAP e, às vezes, na demissão como passivo. Nenhum sistema soma essas parcelas. A consultoria da ASF mapeia os custos ocultos da saúde na empresa, monta a conta em faixa com os dados do RH e da contabilidade e atua em cada ponto que pesa nos afastamentos e na sinistralidade. Para o conjunto, veja os custos ocultos da saúde na empresa.

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Leia também: os custos ocultos da saúde na empresa · renovação do plano empresarial · gestão de sinistralidade · NR-1 e riscos psicossociais · afastamentos e saúde mental.

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Perguntas que recebemos

Quem paga o salário do funcionário afastado?

Os 15 primeiros dias são pagos pela empresa; a partir do 16º, o benefício passa ao INSS (Lei 8.213/1991, art. 60). Afastamentos curtos são integralmente custo da empresa.

Afastamento aumenta imposto?

Afastamentos acidentários entram no cálculo do FAP, que multiplica a alíquota do RAT entre 0,5 e 2,0 (Decreto 3.048/1999). O efeito aparece na contribuição sobre toda a folha, nos anos seguintes.

Posso demitir quem voltou de afastamento?

Se o afastamento foi acidentário com auxílio-doença acidentário, há estabilidade de 12 meses após o fim do benefício (Lei 8.213/1991, art. 118). Antes de qualquer decisão, consulte o jurídico.

Qual é o custo médio de um afastamento?

Não há um valor único. A conta é uma faixa: do salário dos dias parados, com encargos, até várias vezes esse valor quando há reposição, horas extras, efeito no FAP e estabilidade.

De onde vêm as informações

Fontes: primeiros 15 dias pagos pela empresa: Lei nº 8.213/1991, art. 60. Estabilidade de 12 meses após auxílio-doença acidentário: Lei nº 8.213/1991, art. 118. RAT de 1% a 3% e FAP de 0,5 a 2,0: Decreto nº 3.048/1999. Dias perdidos por trabalhador: Mercer Marsh Benefícios, Pesquisa de Gestão de Absenteísmo 2023. Afastamentos por transtornos mentais: Ministério da Previdência Social, janeiro de 2026 (dado preliminar de 2025). Os valores do exemplo são hipotéticos. Nada aqui é parecer jurídico; decisões sobre afastamento e desligamento devem ser confirmadas com o jurídico da empresa. Revisado pela ASF em outubro de 2026.

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