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Saúde mental: quanto custa para a empresa, segundo os dados oficiais e os estudos

Os afastamentos por transtornos mentais e comportamentais cresceram 15,66% no INSS em 2025. Nos estudos citados aqui, o custo de quem continua trabalhando rendendo menos foi maior que o das faltas.

Atualizado em 31 de outubro de 2026 Revisão: Pedro Sales, ASF Corretora Fontes citadas na página

Resposta curta

O INSS concedeu 546.254 afastamentos por transtornos mentais e comportamentais em 2025, 15,66% a mais que em 2024 (Ministério da Previdência Social, janeiro de 2026). No Brasil, o presenteísmo de uma pessoa com uma condição de saúde mental comum custou em média US$ 5.788 por ano (Evans-Lacko e Knapp, LSE, 2016). Nos oito países estudados, custou de 5 a 10 vezes as faltas. A OMS e a OIT estimam 12 bilhões de dias de trabalho perdidos por ano no mundo por problemas de saúde mental comuns (2022). A NR-1 exige gerir riscos psicossociais desde 26/05/2026; o STF suspendeu só as multas (ADPF 1316). A PME age com dado agregado.

Quanto a saúde mental custa para a empresa?

Custa em três lugares: no afastamento, no atestado curto e no rendimento de quem continua no posto. Os dados oficiais medem o primeiro. Os estudos medem o terceiro, e nos estudos citados ele foi o maior.

Este artigo junta o que tem fonte: o registro do INSS, as estimativas da OMS e da OIT e o estudo da London School of Economics sobre o Brasil. Traz também a cronologia da NR-1. Termina no que uma empresa de 10 a 200 pessoas faz com isso, sem olhar o dado de ninguém.

O dado oficial: 546.254 afastamentos em 2025

O INSS concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais em 2025, contra 472.328 em 2024, alta de 15,66% (Ministério da Previdência Social, janeiro de 2026). Dos benefícios, 63,46% foram para mulheres. São Paulo foi o estado com mais concessões, 149.375.

Duas ressalvas de leitura. O dado só inclui segurados do INSS, então deixa de fora informais e servidores estatutários. E só conta afastamentos acima de 15 dias, porque até o 15º dia quem paga é a empresa (Lei nº 8.213/1991, art. 60). O atestado curto não aparece nessa estatística. Veja o que a empresa paga no afastamento pelo INSS.

O custo que os estudos medem: presenteísmo

Presenteísmo é estar no trabalho rendendo menos por causa da saúde. Absenteísmo é a falta. Os estudos mostram que, em saúde mental, o primeiro custa mais que o segundo.

EstudoO que mediuRessalva
Evans-Lacko e Knapp, London School of Economics, 2016No Brasil, o presenteísmo de uma pessoa com uma condição de saúde mental comum custou em média US$ 5.788 por ano; nos oito países, 5 a 10 vezes o absenteísmoCerca de mil trabalhadores por país, em oito países; autorrelato
Kessler et al., Harvard, American Journal of Psychiatry, 2006Uma condição de saúde mental comum, associada a 27,2 dias de trabalho perdidos por trabalhador afetado por ano nos Estados Unidos; a maior parte em presenteísmoDados de 2001 a 2003; desempenho declarado pelo próprio trabalhador
OMS e OIT, 202212 bilhões de dias de trabalho perdidos por ano no mundo por problemas de saúde mental comuns; quase US$ 1 trilhão por ano em produtividadeEstimativa de modelo, não estudo primário

A leitura para a PME: o custo visível é o afastamento, mas nos estudos o custo maior está em quem fica trabalhando. Nenhum desses números é projeção para a sua empresa. São ordens de grandeza, com as limitações ditas.

O que a NR-1 exige e o que o STF suspendeu

A NR-1 é a norma do Ministério do Trabalho sobre riscos no trabalho. Desde 26/05/2026, ela exige tratar os riscos psicossociais, como sobrecarga e assédio (Portarias MTE nº 1.419/2024 e nº 765/2025).

O STF suspendeu até o fim de dezembro de 2026 só as multas, e não a obrigação (ADPF 1316). Para o que isso exige da sua empresa, consulte o jurídico.

Leitura complementar: saúde mental no trabalho: a conta para a empresa, com a cronologia completa, e NR-1 e riscos psicossociais.

O que a PME faz com dado agregado

Age sem olhar o caso de ninguém. Dado de saúde de uma pessoa é dado sensível e não chega à gestão (Lei nº 13.709/2018, art. 5º, II). O que chega é o padrão, por setor e por mês.

  • Atestados por setor e mês. Sem nome e sem CID, que é o código do diagnóstico. Se um setor concentra atestados, o ponto de partida é a rotina: escala, metas, chefia.
  • Afastamentos acima de 15 dias. Quantos, por setor, por quanto tempo. É o número que entra na conta da empresa e no inventário de riscos da NR-1.
  • Uso de terapia e pronto-socorro no relatório de utilização. O relatório de utilização é o documento da operadora com o uso do contrato por tipo de atendimento. Se a operadora oferece acompanhamento em saúde mental, pergunte quantas pessoas aderiram, em número.
  • Pesquisa anônima com a equipe. Sobre carga, pausas e chefia, lida por grupo, nunca por pessoa. Veja como fazer a pesquisa por WhatsApp.

O inventário de riscos da NR-1 e a planilha agregada do RH são o mesmo olhar em documentos diferentes. A medicina e a segurança do trabalho participam do inventário. O RH alimenta com os números agregados de atestados e afastamentos por setor.

O que não fazer

Não pedir diagnóstico. Não cruzar atestado com nome em planilha que a gestão vê. Não prometer que um programa reduz afastamento em tanto por cento: os ensaios randomizados com programas genéricos não acharam efeito em faltas (Song e Baicker, JAMA, 2019). E não tratar o tema como caso individual: o que a empresa controla é a rotina de trabalho. Para demissão de quem está afastado e estabilidade, consulte o jurídico.

Como a ASF auxilia a PME nesse tema

Lemos com a empresa o relatório de utilização e mostramos quanto do uso está em terapia e pronto-socorro, sem nome. Perguntamos à operadora o que ela oferece em acompanhamento e quantas pessoas aderiram. Orientamos a montagem da planilha agregada de atestados e afastamentos. A parte de risco psicossocial e NR-1 é da medicina do trabalho e do jurídico; encaminhamos. A orientação é sem custo. Veja o plano de saúde empresarial.

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Leia também: os custos ocultos da saúde na empresa · renovação do plano empresarial · gestão de sinistralidade · NR-1 e riscos psicossociais · afastamentos e saúde mental.

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Perguntas que recebemos

Quantos afastamentos por saúde mental o INSS concedeu em 2025?

546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais, 15,66% a mais que os 472.328 de 2024 (Ministério da Previdência Social, janeiro de 2026). Só inclui segurados do INSS e afastamentos acima de 15 dias.

O custo maior é o afastamento ou quem continua trabalhando?

Nos estudos citados, quem continua trabalhando. No Brasil, o presenteísmo de uma pessoa com uma condição de saúde mental comum custou em média US$ 5.788 por ano (Evans-Lacko e Knapp, LSE, 2016). Nos oito países estudados, custou de 5 a 10 vezes o absenteísmo. O dado é autorrelatado, com cerca de mil trabalhadores por país.

A NR-1 sobre riscos psicossociais foi suspensa?

Não. O STF suspendeu só as multas e autuações, em 25/06/2026, por 90 dias, prorrogados em 24/09/2026 (ADPF 1316). A obrigação de identificar, avaliar e prevenir os riscos vale desde 26/05/2026. Consulte o jurídico.

A empresa pode ver quem tem atestado por saúde mental?

A gestão não deve ver diagnóstico nem CID; é dado sensível (LGPD, art. 5º, II). O que a gestão vê é o agregado por setor e mês, e é com ele que age sobre a rotina de trabalho.

De onde vêm as informações

Fontes: 546.254 afastamentos em 2025, 472.328 em 2024, alta de 15,66%, 63,46% mulheres, São Paulo com 149.375: Ministério da Previdência Social, janeiro de 2026 (registro administrativo do INSS; só segurados e afastamentos acima de 15 dias). Presenteísmo de US$ 5.788 por pessoa por ano no Brasil (condição de saúde mental comum) e de 5 a 10 vezes o absenteísmo nos oito países: Evans-Lacko e Knapp (London School of Economics), Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology, 2016 (oito países, cerca de mil trabalhadores por país; autorrelato). 27,2 dias perdidos por trabalhador afetado por ano: Kessler et al., American Journal of Psychiatry, 2006 (3.378 trabalhadores dos Estados Unidos; dados de 2001 a 2003). 12 bilhões de dias e quase US$ 1 trilhão por ano: OMS e OIT, diretrizes de saúde mental no trabalho e policy brief, 2022 (estimativa de modelo). NR-1: Portaria MTE nº 1.419/2024; vigência em 26/05/2026 pela Portaria MTE nº 765/2025; suspensão das sanções: STF, ADPF 1316, liminar de 25/06/2026, referendada em agosto e prorrogada em 24/09/2026. Sem efeito de programa genérico em faltas: Song e Baicker, JAMA, 2019. Primeiros 15 dias pagos pela empresa: Lei nº 8.213/1991, art. 60. Dado de saúde como dado sensível: Lei nº 13.709/2018, art. 5º, II. Revisado pela ASF em outubro de 2026.

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