Para sócios, financeiro e RH
Saúde mental no trabalho: onde está o custo para a empresa e o que medir
O tema costuma ser tratado como individual. O custo, não: ele aparece nos afastamentos, no plano, na rotatividade e no risco trabalhista, e boa parte nasce na organização do trabalho.
Resposta curta
O custo da saúde mental no trabalho aparece em várias linhas ao mesmo tempo: afastamentos (546.254 por transtornos mentais em 2025, segundo a Previdência), uso do plano em consultas e terapias, atestados, rotatividade e, desde 2026, a exigência da NR-1 de tratar os riscos psicossociais. Parte das causas é organizacional: escala, metas, liderança e carga. É sobre essa parte que a empresa consegue agir, e medir.
Os números de 2025
Em 2025, o INSS concedeu 546.254 afastamentos por transtornos mentais e comportamentais, alta de 15,66% sobre os 472.328 de 2024 (Ministério da Previdência Social, janeiro de 2026). O dado só conta segurados do INSS e afastamentos acima de 15 dias.
No mundo, a OMS e a OIT estimam 12 bilhões de dias de trabalho perdidos por ano por problemas de saúde mental comuns. O custo em produtividade é de cerca de US$ 1 trilhão por ano (OMS e OIT, 2022). É uma estimativa de modelo, não um estudo sobre a sua empresa.
Nos primeiros 15 dias de cada afastamento, quem paga é a empresa (Lei nº 8.213/1991, art. 60). Depois vêm a substituição e o retorno, muitas vezes sem preparo. Veja afastamentos e saúde mental nas empresas.
Onde o custo aparece
| Onde | Como pesa |
|---|---|
| Afastamentos pelo INSS | 15 primeiros dias pela empresa, substituição e retorno; se ligado ao trabalho, estabilidade de 12 meses (Lei nº 8.213/1991, art. 118) e efeito no FAP, que ajusta a contribuição da empresa |
| Atestados curtos | Ausências de um ou dois dias que se repetem e nunca chegam ao INSS |
| Uso do plano | Consultas, terapias e pronto-socorro que entram na sinistralidade e no reajuste |
| Presenteísmo | A pessoa está no posto, mas rende menos; a perda foi estimada em 2,3 vezes o gasto médico e de farmácia (Loeppke et al., JOEM, 2009) |
| Rotatividade | Pedidos de demissão concentrados em áreas de desgaste, o que só aparece quando a rotatividade é medida por área |
| Risco trabalhista | Doença reconhecida como ocupacional e NR-1 sem evidência de ação |
Nenhuma dessas linhas tem o rótulo "saúde mental" no sistema da empresa, e por isso o custo fica oculto. Veja os custos ocultos da saúde na empresa.
O que a NR-1 exige
A NR-1 é a norma do Ministério do Trabalho sobre gerenciamento de riscos nas empresas. Desde a Portaria MTE nº 1.419/2024, ela inclui os riscos psicossociais, como sobrecarga, metas e assédio, no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). A Portaria MTE nº 765/2025 adiou a vigência, que começou em 26/05/2026.
Em 25/06/2026, o STF suspendeu por 90 dias só as multas e autuações sobre esses itens (ADPF 1316). Em 24/09/2026, a suspensão foi prorrogada até o fim de dezembro de 2026. A obrigação de identificar, avaliar e prevenir os riscos não foi suspensa.
Na prática, a empresa precisa ter evidência de que olhou para a organização do trabalho e agiu. Dados agregados de atestados, afastamentos e uso do plano por área fazem parte dessa evidência. Para o que isso exige da sua empresa, consulte o jurídico. Veja a NR-1 e o plano de saúde.
O que é organizacional e o que é individual
A saúde mental de cada pessoa é assunto dela e da equipe de saúde que a acompanha. A empresa não vê diagnóstico, não pergunta o motivo do atestado e não decide com base em informação de saúde. Isso vale porque dado de saúde é dado pessoal sensível (Lei nº 13.709/2018, art. 5º, II). O que a empresa vê, e sobre o que pode agir, é o padrão por área e os fatores da rotina que o explicam.
| Fator organizacional | Como aparece nos dados | O que a empresa pode rever |
|---|---|---|
| Escala e jornada | Atestados após turnos longos, horas extras recorrentes | Dimensionamento, folgas, limite de horas extras |
| Metas e pressão | Picos de atestados em fechamento de mês ou campanha | Metas atingíveis, pausas, previsibilidade |
| Liderança | Uma área com atestados e saídas bem acima da média da empresa | Preparo do gestor, canais de escuta, feedback |
| Clareza de papel | Conflitos, retrabalho, pedidos de transferência | Descrição de função, prioridades, autonomia |
| Assédio e conflito | Pedidos de demissão concentrados, denúncias | Canal seguro, apuração, política clara |
| Falta de reconhecimento | Baixo engajamento, saídas de pessoas experientes | Reconhecimento, trilha de crescimento |
O ponto é que o ambiente de trabalho aparece nos indicadores de ausência. Por isso o padrão por área diz mais que o caso isolado.
O que medir, mês a mês
- Atestados e dias perdidos por área, sem diagnóstico, comparados com a média da empresa.
- Afastamentos pelo INSS por área e por tipo, comum ou acidentário.
- Uso do plano em consultas e terapias, em números agregados do relatório de utilização.
- Rotatividade por área e motivo de saída nas entrevistas de desligamento.
- Horas extras e banco de horas por área, que costumam andar junto com os atestados.
- Retornos ao trabalho e novos afastamentos nos meses seguintes. Veja o retorno após afastamento.
Esses indicadores entram na mesma reunião em que RH e financeiro olham a sinistralidade. Veja como calcular o absenteísmo.
O que o plano de saúde oferece, e o que ele não resolve
A maioria dos planos cobre consultas com psiquiatra e sessões de psicoterapia, e várias operadoras oferecem teleatendimento. Isso ajuda quem precisa de acompanhamento e, bem orientado, evita que a queixa vá parar no pronto-socorro. Mas o plano cuida da pessoa; ele não muda a escala, a meta nem o gestor. Quando a empresa trata a saúde mental só como benefício, o uso do plano sobe e a causa continua lá. A sinistralidade, a parte da mensalidade usada em atendimentos, sobe junto. Veja o que a empresa deve fazer no afastamento por saúde mental.
Por onde começar
- Padronizar o registro de atestados e afastamentos por área, sem dado individual.
- Comparar as áreas e escolher uma ou duas em que o padrão é mais claro.
- Conversar com a liderança dessas áreas sobre escala, metas e carga, com os dados na mesa.
- Registrar as ações no PGR, como pede a NR-1, com um indicador para cada uma.
- Orientar o uso do plano: como acessar psicoterapia e teleatendimento sem passar pelo pronto-socorro.
Saúde mental é um custo oculto
O custo está espalhado em linhas que não conversam: folha, fatura do plano, FAP, rotatividade e jurídico. A consultoria da ASF mapeia esses custos ocultos juntos, mostra onde a rotina pesa e orienta a empresa a agir na parte organizacional, com indicadores agregados acompanhados mês a mês. Veja a rotatividade e o custo de saúde.

Guia em PDF · sem custo
Guia do controle de sinistralidade
Como calcular, o que pesa, o relatório que a empresa pode pedir e o programa de 90 dias até a renovação.
Receber o guia →Leia também: os custos ocultos da saúde na empresa · renovação do plano empresarial · gestão de sinistralidade · NR-1 e riscos psicossociais · afastamentos e saúde mental.
Empresa com 50 a 5.000 funcionários? Os guias de gestão de saúde, medicina do trabalho e NR-1 estão na EvySaude, a marca do grupo ASF para esse porte.
Peça o mapeamento da sua empresa
Mapeamento dos custos ocultos
Um consultor da ASF levanta onde a saúde está custando na sua empresa: plano, afastamentos, faltas, risco trabalhista e processos. Sem custo.
Conversa direta
Fale agora com um consultor. Se tiver em mãos, mande a última fatura do plano e o relatório de uso da operadora.
Pedir o mapeamento
Perguntas que recebemos
A empresa pode saber quais funcionários estão em tratamento?
Não. A gestão vê só números agregados e anônimos por área. Dado de saúde é dado pessoal sensível (Lei nº 13.709/2018, art. 5º, II), e a gestão não deve pedir o CID, que é o código do diagnóstico, no atestado. Em caso de dúvida, consulte o jurídico.
Afastamento por condição de saúde mental gera estabilidade?
Só quando o afastamento é reconhecido como acidentário, ligado ao trabalho, o que gera a estabilidade de 12 meses (Lei nº 8.213/1991, art. 118). Consulte o jurídico para a classificação de cada caso.
A NR-1 obriga a empresa a oferecer psicólogo?
A NR-1 exige que os riscos psicossociais sejam identificados, avaliados e tratados no PGR. Ela trata da organização do trabalho, não de um benefício específico. Consulte o jurídico para o que se aplica à sua empresa.
O que medir primeiro?
Atestados e afastamentos por área, em números agregados, comparados com a média da empresa. É o dado que a maioria das empresas já tem e ainda não lê.
De onde vêm as informações
Fontes: 546.254 afastamentos por transtornos mentais em 2025, 472.328 em 2024 e alta de 15,66%, só segurados do INSS e afastamentos acima de 15 dias: Ministério da Previdência Social, janeiro de 2026. 12 bilhões de dias perdidos por ano e cerca de US$ 1 trilhão por ano em produtividade (estimativa de modelo): OMS e OIT, 2022. Perda de produtividade de 2,3 vezes o gasto médico e de farmácia: Loeppke et al., Journal of Occupational and Environmental Medicine, 2009. 15 primeiros dias e estabilidade acidentária: Lei nº 8.213/1991, arts. 60 e 118. NR-1: Portaria MTE nº 1.419/2024; vigência em 26/05/2026 pela Portaria MTE nº 765/2025; multas suspensas pelo STF (ADPF 1316, 25/06/2026, prorrogada em 24/09/2026 até o fim de dezembro de 2026), sem suspensão da obrigação. Dado de saúde como dado pessoal sensível: Lei nº 13.709/2018, art. 5º, II. Revisado pela ASF em novembro de 2026.