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Como medir o retorno do plano de saúde sem inventar número: os quatro indicadores e a leitura antes e depois
Retorno do plano não se calcula com fórmula de palestra. Se mede com quatro números da própria empresa, por mês, comparando antes e depois de cada mudança.
Resposta curta
O retorno do plano se mede com quatro números da própria empresa: custo do plano por funcionário, dias de atestado, afastamentos e rotatividade, por setor e por mês. A leitura é antes e depois de cada mudança, com data. Não se promete percentual. Os ensaios randomizados não acharam efeito de programas de bem-estar em custo (Song e Baicker, JAMA, 2019). E quem adere a programa já custava menos (Jones, Molitor e Reif, QJE, 2019). Ao sócio, apresenta-se a tendência dos quatro números e o que mudou, não uma cifra de retorno.
Dá para medir o retorno do plano de saúde?
Dá para medir o que mudou. Não dá para calcular um retorno em reais por real, como em propaganda. A diferença é o que separa gestão de promessa.
Retorno sobre investimento, em saúde, exige saber o que teria acontecido sem a ação. Nenhuma empresa pequena tem grupo de controle. O que ela tem é a própria história: os números de antes e os de depois. É com isso que se trabalha.
Os quatro números
| Número | Como calcular | De onde vem |
|---|---|---|
| Custo do plano por funcionário | Fatura do mês dividida pelas vidas ativas, depois de conferir vidas desligadas | Fatura da operadora e folha |
| Dias de atestado | Soma dos dias de atestado no mês, por setor, sem nome e sem código de diagnóstico | Departamento pessoal |
| Afastamentos | Quantidade e duração dos afastamentos acima de 15 dias, por setor | Departamento pessoal e INSS |
| Rotatividade | Saídas no mês divididas pelo total de pessoas, por setor | RH |
Os quatro cabem numa planilha de uma aba, com uma linha por mês. Nenhum pede dado de uma pessoa. Dado de saúde identificado é sensível e fica no departamento pessoal, nunca na planilha da gestão (Lei nº 13.709/2018, art. 5º, II).
Por que esses quatro e não só o plano? Porque a perda de produtividade ligada à saúde foi 2,3 vezes o gasto médico nas empresas estudadas (Loeppke et al., JOEM, 2009). Medir só a fatura é medir a parte menor. Veja a conta completa da saúde da equipe.
A leitura antes e depois
Toda mudança entra com data. Troca de rede, nova coparticipação, orientação sobre pronto-socorro, programa da operadora, mudança de escala num setor. A partir da data, comparam-se os 12 meses seguintes com os 12 anteriores, nos quatro números.
Três cuidados. Primeiro, uma mudança por vez quando possível; duas ao mesmo tempo não se separam depois. Segundo, atenção ao acaso: num contrato de 40 pessoas, uma internação muda o ano inteiro. Terceiro, olhar o setor, não só o total; a média esconde onde a coisa aconteceu. Veja como enxergar o padrão com planilha.
Um exemplo sem número real. Uma empresa de 70 pessoas troca o desenho da coparticipação em março. De abril em diante, acompanha o custo por funcionário e a parte do pronto-socorro no relatório. Em setembro, compara os seis meses com os seis anteriores. Se a parte do pronto-socorro caiu e os atestados não subiram, vale manter e seguir acompanhando. Se os atestados subiram, vale investigar se a coparticipação está afastando gente da consulta.
Por que não prometer percentual
Porque a evidência não sustenta. O maior ensaio randomizado em empresa, com 32.974 empregados, não achou efeito de programa de bem-estar em gasto, faltas ou permanência (Song e Baicker, JAMA, 2019). Nem em 18 meses, nem em três anos (Song e Baicker, Health Affairs, 2021). O ensaio de Illinois mostrou que quem adere já custava menos antes (Jones, Molitor e Reif, QJE, 2019): a comparação simples entre participantes e não participantes favorece o programa.
Mesmo o estudo que achou retorno, o da PepsiCo, traz a ressalva. Gestão de doença devolveu US$ 3,78 por dólar e estilo de vida US$ 0,50 (Caloyeras et al., RAND, Health Affairs, 2014). Mas os autores escrevem que a economia não deve ser tomada como garantida. E a RAND, em 600 mil empregados, achou diferença de US$ 157 por ano sem significância estatística (Mattke et al., 2013). Promessa de percentual para a sua empresa não tem base nesses estudos. Veja o que a ciência diz sobre programa de bem-estar.
O que conta como resultado
- Tendência, não ponto. Três meses seguidos na mesma direção dizem mais que um mês bom.
- Mudança de composição. Pronto-socorro caindo e consulta eletiva subindo é um resultado a registrar, mesmo com custo total igual, porque o perfil do uso mudou.
- Vidas conferidas. Vida desligada retirada da fatura é custo que deixa de ser pago, e isso dispensa estudo para provar.
- Setor que saiu do padrão e voltou. Atestados de um setor caindo após mudança de escala é o tipo de resultado que a PME consegue ver.
O que não conta: comparar o reajuste deste ano com o do ano passado. O reajuste depende de regras do contrato e, abaixo de 30 vidas, do grupo de contratos da operadora (RN ANS nº 565/2022). Não é medida do que a empresa fez.
Como apresentar ao sócio
Uma página. Em cima, os quatro números dos últimos 12 meses, por mês, em gráfico de linha. No meio, as mudanças feitas, com data. Embaixo, o que mudou depois de cada uma e o que não mudou. Sem cifra de retorno.
A frase que resume: "Fizemos isto, nestas datas. Estes números mudaram assim. Estes não mudaram. O próximo passo é este." É menos vistoso que "retorno de tanto por cento" e muito mais defensável. Se o sócio perguntar pelo retorno em reais, a resposta honesta é a conta das vidas conferidas e a diferença de custo por tipo de atendimento. O resto é tendência. Veja a rotina mensal de gestão de saúde na PME.
Como a ASF auxilia a PME a medir
Ajudamos a montar a planilha dos quatro números. Lemos com a empresa o relatório de utilização, que é o documento da operadora com o uso do contrato por tipo de atendimento. Fazemos a conciliação de vidas, que é o resultado mais fácil de provar. Preparamos com a empresa a página para o sócio. Não apresentamos retorno inventado; mostramos o que mudou e o que não mudou. A orientação é sem custo. Veja o plano de saúde empresarial.

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Perguntas que recebemos
Como calcular o retorno do plano de saúde da empresa?
Não se calcula um retorno em reais por real sem grupo de controle. O que a PME faz é acompanhar quatro números por mês (custo por funcionário, dias de atestado, afastamentos, rotatividade) e comparar antes e depois de cada mudança, com data.
Por que vocês não prometem um percentual de economia?
Porque os ensaios randomizados não acharam efeito de programas de bem-estar em custo (Song e Baicker, JAMA, 2019; Health Affairs, 2021). E porque quem adere já custava menos antes (Jones, Molitor e Reif, QJE, 2019). Promessa de percentual não tem base.
Qual resultado a empresa comprova com mais facilidade?
A conciliação de vidas, porque a vida desligada retirada da fatura aparece na própria fatura. E a mudança de composição do uso, como menos pronto-socorro e mais consulta eletiva, que se vê no relatório de utilização.
Preciso de sistema para acompanhar isso?
Não. Uma planilha com uma linha por mês e quatro colunas por setor basta numa empresa de 10 a 200 pessoas. O que importa é não misturar dado de uma pessoa: só agregado.
De onde vêm as informações
Fontes: perda de produtividade 2,3 vezes o gasto médico: Loeppke et al., Journal of Occupational and Environmental Medicine, 2009 (10 empregadores, mais de 150 mil empregados; observacional). Sem efeito de programa de bem-estar em gasto, faltas e permanência: Song e Baicker, JAMA, 2019 (160 unidades, 32.974 empregados), e Health Affairs, 2021. Seleção de quem adere: Jones, Molitor e Reif, Quarterly Journal of Economics, 2019. Gestão de doença US$ 3,78 e estilo de vida US$ 0,50 por dólar, com ressalva dos autores: Caloyeras et al. (RAND), Health Affairs, 2014. US$ 157 por ano sem significância: Mattke et al., RAND Corporation, 2013 (cerca de 600 mil empregados). Dado de saúde como dado sensível: Lei nº 13.709/2018, art. 5º, II. Revisado pela ASF em outubro de 2026.