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Plano de saúde e retenção de funcionários: o que as pesquisas mostram e o que é opinião

Todo mundo diz que o plano retém. As pesquisas confirmadas apontam na mesma direção, mas são pesquisas de mercado, não ensaios. Vale saber a diferença antes de decidir.

Atualizado em 31 de outubro de 2026 Revisão: Pedro Sales, ASF Corretora Fontes citadas na página

Resposta curta

No Brasil, 78% dos respondentes disseram que um bom plano de saúde ajuda a atrair talentos e 78% que é essencial para reter (Howden, 2026). A pesquisa da corretora ouviu 422 empregadores e 1.460 funcionários em 13 países. Na pesquisa da Pipo Saúde, empresa de benefícios, 79% de cerca de 3 mil colaboradores consideram o plano essencial (2024 e 2025). São pesquisas de opinião, não estudos de causa e efeito. O ensaio randomizado que mediu permanência no emprego testou programa de bem-estar, não o plano, e não achou efeito (Song e Baicker, JAMA, 2019). A PME mede na própria casa.

O plano de saúde retém funcionários?

As pesquisas de opinião apontam que sim. Não localizamos estudo de causa e efeito que prove. A diferença importa para quem vai decidir quanto investir no benefício.

Pesquisa de opinião pergunta às pessoas o que elas valorizam. Estudo de causa e efeito compara empresas com e sem o benefício, ou antes e depois, e mede quem ficou. O primeiro tipo existe para o Brasil. O segundo, para o plano de saúde em si, não foi localizado.

As pesquisas confirmadas

PesquisaResultadoQuem fez e ressalva
Howden Employee Benefits, Relatório Global sobre Saúde Corporativa, 2026No Brasil, 78% dizem que um bom plano ajuda a atrair talentos (55% no global) e 78% que é essencial para reter (74% no global)Corretora global; 422 empregadores e 1.460 funcionários em 13 países; amostra por país pequena
Pipo Saúde, pesquisas de 2024 e 202579% de cerca de 3 mil colaboradores consideram o plano essencial; 87% dos RHs o consideram essencial ou muito relevante para atrair e reterEmpresa de benefícios, com interesse comercial
WTW, Benefits Attitudes Survey, 202471% dos entrevistados no Brasil dizem que o plano atende às suas necessidadesConsultoria; mede satisfação, não valorização

Os três números apontam na mesma direção: boa parte dos entrevistados vê o plano como essencial ou diz que ele atende. Mas são pesquisas de quem vende ou intermedeia benefício. Isso não as invalida; pede leitura com cuidado. Números que circulam sem relatório localizável, como "tantos por cento ficam na empresa por causa do plano", ficaram de fora deste artigo.

O que os estudos de causa e efeito dizem

Sobre o plano em si, nada foi localizado. Sobre programas de bem-estar, há um ensaio randomizado que mediu permanência no emprego. Em 160 unidades de uma rede de varejo, com 32.974 empregados, o programa não mudou a permanência em 18 meses (Song e Baicker, JAMA, 2019). Nem em três anos (Song e Baicker, Health Affairs, 2021).

Há ainda uma distinção que os estudos ajudam a fazer. Oferecer o plano é uma decisão de benefício: a equipe espera, e as pesquisas confirmam. Esperar que o plano, sozinho, segure quem quer sair é outra coisa, e não localizamos estudo que sustente.

A conclusão é limitada: programa de hábitos não reteve. Isso não diz nada sobre ter ou não ter plano. Diz que acrescentar um programa em cima do plano, esperando reter, não tem base. Veja o que a ciência diz sobre programa de bem-estar.

Quanto custa a rotatividade

Não há número nacional confirmado de custo de reposição por funcionário com origem universitária. Um estudo da Flash com a FGV EAESP estimou em cerca de R$ 70,7 bilhões por ano o custo do turnover ligado ao desengajamento nas empresas brasileiras (Engaja S/A, 2025). É estudo de empresa de benefícios com universidade, mede desengajamento e não saúde, e a metodologia do cálculo não foi localizada. Serve como ordem de grandeza, não como referência.

A conta que vale é a da sua empresa. Rotatividade é a proporção de pessoas que saem num período. O custo de repor uma pessoa soma rescisão, seleção, treinamento e os meses em que quem entra rende menos. Veja rotatividade e custo da saúde.

Um exemplo sem número real. Numa empresa de 40 pessoas, cada saída exige rescisão, duas semanas de seleção, um mês de treinamento e alguns meses até quem entra render como quem saiu. Se o setor com mais saídas também é o que mais reclama do plano na pesquisa anônima, há um sinal. Se não é, o problema está em outro lugar: chefia, salário, escala.

Como medir na própria empresa

  • Rotatividade por setor e mês. Saídas divididas pelo total de pessoas. Sem nome.
  • Motivo de saída, em grupo. Na entrevista de desligamento, uma pergunta sobre benefícios. Leia por grupo, nunca por pessoa.
  • Pesquisa anônima com quem fica. Cinco perguntas sobre o que mais pesa para permanecer, pelo WhatsApp. Veja como fazer a pesquisa por WhatsApp.
  • Custo de reposição. Uma estimativa própria por cargo, conferida a cada saída.
  • Antes e depois. Qualquer mudança no plano, como rede, coparticipação ou dependentes, entra com data. A rotatividade dos 12 meses seguintes é comparada com os 12 anteriores.

Com isso, a empresa deixa de depender da pesquisa dos outros. Ela sabe se o plano pesa na retenção da sua equipe, no seu setor, na sua cidade. Para dúvidas sobre desligamento e manutenção do plano de quem sai, consulte o jurídico.

O que é opinião e o que é dado

É dado: boa parte dos entrevistados considera o plano essencial ou diz que ele atende, em pesquisas de 2024 a 2026. Não é dado: que o plano reduza a rotatividade em tanto por cento. Não localizamos medição confiável disso, e quem afirma o percentual não tem base. Veja plano de saúde e retenção de talentos.

Como a ASF auxilia a PME nessa decisão

Orientamos o desenho do plano a partir do que a equipe usa e do que diz valorizar, não da média do mercado. Ajudamos a montar a pesquisa anônima e a ler o resultado por grupo. Comparamos opções de rede e coparticipação para o mesmo orçamento. Não prometemos retenção; mostramos o que a equipe pediu e o que cada opção custa. A orientação é sem custo. Veja os benefícios para funcionários.

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Leia também: os custos ocultos da saúde na empresa · renovação do plano empresarial · gestão de sinistralidade · NR-1 e riscos psicossociais · afastamentos e saúde mental.

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Perguntas que recebemos

Qual pesquisa mostra que o plano de saúde ajuda a reter?

A mais recente é da corretora Howden (2026): no Brasil, 78% dizem que um bom plano é essencial para reter e 78% que ajuda a atrair. São 422 empregadores e 1.460 funcionários em 13 países, amostra pequena por país e fonte com interesse comercial.

Existe estudo que prove que o plano reduz a rotatividade?

Não foi localizado. O ensaio randomizado que mediu permanência testou programa de bem-estar, não o plano, e não achou efeito (Song e Baicker, JAMA, 2019). O que existe são pesquisas de opinião.

Quanto custa a rotatividade para a empresa?

Não há número nacional confirmado de origem universitária. A estimativa da Flash com a FGV EAESP, de R$ 70,7 bilhões por ano em turnover por desengajamento (2025), é de empresa de benefícios e sem metodologia pública. A conta que vale é a da sua empresa: rescisão, seleção, treinamento e rendimento menor de quem entra.

Como saber se o plano pesa na retenção na minha empresa?

Medindo rotatividade por setor e mês, perguntando o motivo de saída em grupo e fazendo pesquisa anônima com quem fica. Toda mudança no plano entra com data para comparar antes e depois.

De onde vêm as informações

Fontes: 78% atrair e 78% reter no Brasil: Howden Employee Benefits, Relatório Global sobre Saúde Corporativa 2026 (13 países, 422 empregadores e 1.460 funcionários; pesquisa de corretora). 79% dos colaboradores e 87% dos RHs: Pipo Saúde, pesquisas de 2024 e 2025 (empresa de benefícios). 71% dizem que o plano atende: WTW, Benefits Attitudes Survey, 2024 (satisfação). Programa de bem-estar sem efeito em permanência: Song e Baicker, JAMA, 2019, e Health Affairs, 2021 (ensaio randomizado, 32.974 empregados). R$ 70,7 bilhões em turnover por desengajamento: Flash e FGV EAESP, Engaja S/A, 2025 (metodologia não localizada; patrocínio comercial). Revisado pela ASF em outubro de 2026.

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