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Rotatividade de funcionários: quanto custa e o que a saúde tem a ver
Cada pedido de demissão tem um motivo declarado. O motivo real, muitas vezes, começou meses antes, no desgaste.
Resposta curta
A taxa de rotatividade mede quantas pessoas a empresa precisou substituir num período. A forma mais usada no Brasil, a do DIEESE, divide o menor número entre admissões e desligamentos pelo número médio de empregados. O custo de cada saída vai além da rescisão: inclui recrutamento, treino e queda de produção. Boa parte da rotatividade nasce de desgaste, sobrecarga e condições de trabalho, os mesmos pontos que geram atestado e afastamento.
Como calcular a taxa de rotatividade
A metodologia do DIEESE, usada nos estudos sobre o mercado formal brasileiro, é esta:
Rotatividade = menor valor entre admissões e desligamentos do período ÷ número médio de empregados do período × 100
Usar o menor valor serve para contar só as substituições. Se a empresa cresceu e contratou muito, as contratações a mais não são rotatividade; são expansão. Exemplo: 20 admissões, 15 desligamentos e média de 150 empregados no ano dão 15 ÷ 150 × 100, ou 10 no ano.
O DIEESE também calcula uma versão descontada, que tira da conta saídas que não dependem da empresa, como aposentadoria, morte e transferência. Para gestão interna, vale ainda separar as saídas por iniciativa: pedido de demissão, dispensa e fim de contrato de experiência. Cada uma conta uma história diferente.
Quanto custa cada desligamento
A rescisão é a parte visível. O custo inteiro tem mais camadas:
| Etapa | O que entra no custo |
|---|---|
| Saída | Verbas rescisórias, aviso prévio, exame demissional, horas do RH e do DP |
| Vaga aberta | Horas extras de quem cobre, atraso de entregas, perda de clientes |
| Contratação | Anúncio, triagem, entrevistas, exame admissional, inclusão no plano |
| Adaptação | Treinamento e meses de produção abaixo do esperado |
| Saída de quem estava doente | Risco trabalhista, quando há estabilidade ou nexo com o trabalho |
Para estimar na sua empresa, some esses itens para um cargo típico e multiplique pelo número de substituições do ano. O resultado costuma surpreender o financeiro.
Onde a saúde entra na rotatividade
- Desgaste antes da saída: atestados e presenteísmo costumam crescer nos meses que antecedem um pedido de demissão.
- Riscos psicossociais: sobrecarga, metas sem limite e conflito com a chefia levam a pedidos de demissão e a afastamentos. A NR-1 manda identificar e tratar esses riscos desde 26 de maio de 2026.
- Condições de trabalho: escala pesada, falta de pausa e posto mal ajustado afastam quem tem alternativa. Veja pausas e ergonomia.
- Plano de saúde: um plano adequado à equipe é um dos benefícios que mais pesam na decisão de ficar. Veja plano de saúde e retenção.
Como descobrir o motivo real das saídas
- Entrevista de desligamento estruturada, com as mesmas perguntas para todos e feita por alguém fora da chefia direta.
- Cruzamento com o histórico: atestados, horas extras e mudanças de escala nos seis meses anteriores à saída.
- Concentração por área e por gestor: rotatividade alta numa equipe só costuma ter causa local.
- Tempo de casa na saída: muitas saídas no primeiro ano apontam para integração e expectativa; saídas de veteranos, para desgaste.
Com isso a empresa troca a explicação genérica ("o mercado está aquecido") por causas que dá para tratar.
O cuidado com quem sai doente
Desligar alguém que está em tratamento, voltou de afastamento ou tem doença possivelmente ligada ao trabalho exige atenção. Pode haver estabilidade, como a do empregado que sofreu acidente de trabalho (Lei nº 8.213/1991, art. 118), e o plano de saúde do demitido segue regras próprias, explicadas em plano de saúde do funcionário demitido. Antes de desligar alguém nessas situações, vale confirmar com o jurídico da empresa.
Rotatividade é custo oculto da saúde
A rotatividade aparece no RH, a rescisão no financeiro, o risco no jurídico e o atestado que veio antes no departamento pessoal. Ninguém junta as partes. A consultoria da ASF cruza desligamentos, atestados, uso do plano e condições de trabalho por área e mostra onde o desgaste está levando gente embora, e o que pode ser feito antes.
Na prática, isso significa olhar para as mesmas áreas com lentes diferentes: onde estão as saídas, onde estão os atestados, onde o plano é mais usado e onde a rotina pesa mais. Quando os quatro mapas coincidem, a empresa sabe exatamente por onde começar, e pode medir o efeito das mudanças nos meses seguintes.
Leia também: os custos ocultos da saúde na empresa · renovação do plano empresarial · gestão de sinistralidade · NR-1 e riscos psicossociais · afastamentos e saúde mental.
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Perguntas que recebemos
Qual a fórmula de rotatividade mais usada?
A do DIEESE: o menor valor entre admissões e desligamentos do período, dividido pelo número médio de empregados, multiplicado por 100. Assim só as substituições entram na conta.
Existe uma taxa de rotatividade ideal?
Não há um número oficial que sirva para toda empresa. Ela varia muito por setor e função. O melhor parâmetro é a evolução da própria empresa, por área.
O plano de saúde ajuda a reduzir a rotatividade?
O plano é um dos benefícios mais valorizados por quem decide ficar ou sair. Um plano adequado ao perfil da equipe ajuda a reter, desde que o custo esteja sob controle.
Pode demitir funcionário que voltou de afastamento?
Depende do caso. Afastamento por acidente de trabalho ou doença ocupacional pode gerar estabilidade. Antes de desligar, vale confirmar com o jurídico da empresa.
De onde vêm as informações
Fórmula de rotatividade: DIEESE, estudos sobre rotatividade no mercado de trabalho formal (base RAIS). Estabilidade acidentária: Lei nº 8.213/1991, art. 118. NR-1: Portaria MTE nº 1.419/2024, com vigência das exigências psicossociais em 26/05/2026 (Portaria MTE nº 765/2025). Conteúdo informativo, não é parecer jurídico. Revisado pela ASF em outubro de 2026.